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sexta-feira, 13 de abril de 2012

PORTUGAL DE CÓCORAS

A imagem é forte, mas é a que se pode arranjar. E a intenção é mesma esta. Agitar e provocar as consciências dos cidadãos e alertá-los para o surgimento dum totalitarismo de novo tipo. Muito insidioso e malicioso. E que a pouco e pouco vai corroendo a nossa alma.

Hoje, Sexta-Feira, dia 13!, foi aprovado em Lisboa o Tratado Orçamental com os votos da actual maioria governamental em Lisboa e a «luz verde» do principal partido da oposição.

Querendo mostrar serviço ou ser o mais subserviente possível a interesses e líderes estrangeiros, o Governo Português impôs à AR, a assinatura dum documento que é uma autêntica capitulação à já mui minguada soberania dessa velha Nação à beira-mar plantada, em relação a organizações transnacionais ou mesmo potências estrangeiras.

Mais um prego no caixão de Portugal.

A União Europeia, tal como a conhecíamos e concebíamos, ou seja, um espaço geopolítico de solidariedade, estabilidade, desenvolvimento e coesão social, está em desagregação contínua e o seu directório informal (Merkozy) de dia para dia intensifica esta deriva ao espírito que presidiu aos Tratados fundacionais e que estiveram na origem da então CEE e mais tarde da UE.

Perante todas estas evidências, o que faz Portugal? Contemporiza acriticamente com toda esta deriva e ainda paga a bala para o seu fuzilamento, como acontece com os condenados à morte na China, em que é a própria família do condenado que paga a bala ao Estado.

A aprovação deste tratado constitui mais um pontapé na CRP e mais uma vez foi cozinhado nas costas das regiões autónomas.

Já é tempo de equacionarmos qual é o interesse estar numa "União", onde os países mais ricos e fortes impôem regras para defenderem os seus próprios interesses, sacrificando os interesses dos povos e das nações mais pequenas e da periferia.

Tal como previu um ex-dissidente da URSS, a União Europeia está cada vez mais parecida do que aquela defunta união de repúblicas soviéticas, onde era a Rússia que tinha a faca e o queijo na mão.

Na União Europeia, é a Alemanha que agora faz esse papel...

segunda-feira, 2 de abril de 2012

UM «ESTADO SUCIAL» À BEIRA-MAR PLANTADO

É raro o dia que as televisões portuguesas não noticiam abundantemente desgraças várias, desde burlas; roubos; trafulhices; alta corrupção; irregularidades financeiras; negócios privados com dinheiros públicos; virtudes públicas versus vícios privados, criminalidade violenta até às actividades ilícitas protogonizadas por grupos de pressão e de associações secretas,etc.


Desde há muito tempo, talvez desde há muitos anos a esta parte, Portugal tem sido saqueado e desonrado num ritmo deveras impressionante.

Como é habitual nestes casos, quem sofre com todo este saque e corrupção organizada, são sempre os elementos mais frágeis da sociedade, em especial os idosos e as crianças das famílias mais pobres e vulneráveis.

Em Portugal temos vindo a assistir de dia para a dia - em progressão geométrica - a um invulgar fenómeno, onde o Estado e as suas estruturas protegem os grupos sociais mais poderosos e endinheirados à conta da exploração, confisco e rapina fiscal dos pobres , da classe trabalhadora e da proletarização irreversível da classe média, tão fundamental para o equilibrio social e para o desenvolvimento económico.

A par de toda a convulsão social que está a fermentar, o Estado continua a retirar escandalosamente direitos básicos aos cidadãos, desde cortes nos salários, nas prestações sociais, na assistência médica e medicamentosa e na própria segurança jurídica de pessoas e bens.

Ainda hoje, ouvimos da boca do Ministro da Assistência e Caridade, mais um anúncio de cortes de subsídio de desemprego, subsídio de doença, rendimento mínimo, etc, com a justificação pateta que isso terá como consequência a descida da fraude, o que constitui uma verdadeira ofensa à maioria esmagadora dos cidadãos que são honestos (muito mais honestos do que esses governantes de aviário!) e uma afronta aos profissionais (médicos,etc.) que atestam essas situações.

Realmente a situação social «neste» país é duma injustiça atroz.

«Sucialismo de Estado» à fartazana para a momenklatura e para as clientelas politico-partidárias do regime, e que estão sempre muito bem servidas seja qual fôr a origem do governo ou da maioria que o apoia, e «capitalismo selvagem» para os servos da glebe, para os mais desfavorecidos e para todos aqueles que se levantam cedo para pôr «isto» a funcionar».

Castigam-se as autarquias (em especial as freguesias que não são responsáveis pela mega dívida do Estado!); as ilhas e os trabalhadores (dependentes/independentes/micro, pequenos e médios empresários), mas não se toca nos privilégios dos que raptaram as funções do Estado para seu usufruto privado, como é o caso das parcerias público-privadas, das rendas da energia, das concessões com lucro garantido ou na utilização do banco do Estado (isto é, dos contribuintes) para alavancar negócios privados e especulações bolsistas.

Neste negro cenário dum país onde o «Estado Sucial» prospera, os Açores, como comunidade insular, abandonada durante todos estes séculos, por um poder centralista e colonialista, está de novo a sofrer as consequências duma governação portuguesa aventureirista e golpista.

Todos nós, cidadãos nascidos ou residentes aqui nestas nove ilhas, não somos demais para fazer frente a este verdadeiro «sucialismo (de súcias) dum Estado que pune os pobres, retira abonos de famílias a agregados de poucas posses, e por outro lado «injecta» milhões e milhões no falido BPN, nas PPP's e financia uma série de estruturas ao serviço da fidalguia dos negócios e da trapaça.

Quererdes viver e trabalhar dentro dum Estado tão injusto e parcial?