[Um olhar lúcido sobre a importância histórica e sobre o simbolismo actual da grande manifestação açorianade 6 de Junho de 1975. Hoje, mais do que ontem, existem muitas mais razões para que os nossos direitos históricos e a nossa própria identidade cultural sejam defendidos com unhas e dentes.Se falharmos, seremos escravos na nossa própria terra!]
[Versão musicada e cantada no doce sotaque tropical brasileiro do poema heróico «MarPortuguez» do genial Fernando Pessoa , tão estudado e idolatrado no Brasil]
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Por imperativo de calendário, comemorou-se ontem, dia 10 de Junho, o DiadePortugal, de Camões e das Comunidades.
Como vem sendo habitual, há muito tempo a esta parte, as altas autoridades e as altas instâncias reuniram-se num cerimonial pomposo, devidamente protegidas por cordões policiais e guarda-costas, ficando o Povo atrás das tábuas...
Cerimonial consecutivamente anacrónico e até surrealista, numa altura em que se vende os activos da pátriaàs fatias e quando a nação está às ordens de potências estrangeiras. Por pouco proibiam a celebração do Diade Portugal, já que o feriado da Restauração da Independência foi simplesmente banido.
Nestas circunstâncias e quando mais uma vez o Estado Português não cuida dos seus cidadãos nem exerce a sua soberania com justiça e isenção, resta-nos lembrar e homenagear o bom povo português, aquele que ao longo do tempo tem sido explorado, saqueado e roubado por uma élite politico-cultural-financeira corrupta eincompetente; homenagear todos os filhos do ex-Império que foram esquecidos, desprezados e abandonados na Ásia ou na África; homenagear os bravos soldados (entre os quais muitos açorianos) que pereceram nas savanas africanas ou serviço duma pátria madrasta; e não podíamos esquecer dos heróicos Ilhéus (açorianos e madeirenses), que durante séculos têm sido os faroleiros e os vigilantes desta fronteira ocidental, apesar das ignomínias feitas e ditas contra estes.
Ainda recentemente, Vasco Vieira de Almeida, distinto advogado e Ministro das Finanças do I Governo Provisório, afirmou que «o Povo valeu sempre mais do que as élites». Nem mais!
A próxima revolução, não vai ser motivada por lutas de classes ou uma lutas ideológicas, mas será uma revolução para defenestrar, inclusivamente aqui nos Açores, as actuais élites (ou o que resta delas...) corruptas, reacionárias e incompetentes, que arruinaram o povo e que fizeram sumir todo o produto do nosso trabalho e todas as nossas poupanças.
[Festa do Divino 2012, realizada no passado dia 3 de Junho, na cidade de Palhoça, municipio do litoral do Estado de Santa Catarina, e que faz parte da área metropolitana de Florianópolis. Palhoça é um dos municípios com grandes raízes de colonização açoriana. Vídeo da autoria dos Srs. Sebastião da Cruz e Hélio João Machado. Inclui cerimonial religioso da Festa doDivino, canto coral, arraial e a partir minuto 26' o imponente e tradicional cortejo imperial e desfile das Bandeiras do Divino]
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À semelhança das nossas tradicionais festas em honra e louvor ao Espírito Santo, a Festa do Divino e diversas manifestações da Cultura Açoriana prosseguem no Estado de Santa Catarina.
As Conferências (alegadamente) sobre a Autonomia continuam.
Hoje o painel e os respectivos paineleiros dedicaram-se à coltura. Foram convidados dois obscuros «escritores» (hoje em dia qualquer banana é escritor)...
Um deles insurgiu-se contra o czarismo ilhéu. O outro, mais fashion, queixou-se do facto da DRAC não estar na Terceira, coitadinho...
Numa altura em que a Cultura (e cultura não é só publicar livros que ninguém lê!...) e a Identidade açorianas estão a ser severamente atacadas (caso da extinção do programa televisivo matinal Bom Dia Açores, p.ex. por ordens expressas do Governo neo-comunista liberal deLisboa!) os participantes daquele sarau eminentemente coltural, nem uma palavrinha tiveram para com tamanha afronta perpetrada na cara dos Açorianos.
A finalizar - e segundo rezam as crónicas e os títulos publicados nos OCS's «regionais» - a administradora-delegada nos Açores do partido organizador dessas conferências , afirmou (sem se rir...) que quer «valorizar e clarificar a politica cultural na Região».
Discursos redondos. Tretas. Agit-prop. E alguns cromos à espera duma cenourinha...
Apesar de hoje estarmos muito ocupados, fazemos muita questão em assinalar esta preciosa data aqui neste blogue.
O 6 de Junho de 1975 não pertence a este ou àquele grupo, embora se deva reconhecer os seus principais protogonistas e até mártires. Foi um dia excepcional onde o grito de revolta e de afirmação dos Açorianos chegou mais alto.
Fartos de humilhações e de ofensas contínuas à nossa identidade e idoneidade, nesse dia os Açorianos manifestaram-se em massa e disseram que também queriam ser ouvidos e que já não admitiam que outros decidissem por eles e que viessem para aqui mandar como nós fossemos simples indígenas.
O que sucedeu depois, são outras histórias e que já pertencem à História.
Fiquemos pelo essencial e prestemos honras àqueles que enfrentaram as agruras dos acontecimentos e que abriram uma pequena janela para o nosso futuro, que pretendemos ser próspero e radioso.
Hoje, o nosso amigo Milhafre sobrevoou o blogue«O Lugar da Ponta Delgada», assinado pelo distinto militante da Causa Açoriana, Sr. João Pacheco de Melo.
Como é habitual nesta rubrica, destacamos o artigo, a crónica, o post ou mesmo a notícia que pela sua actualidade e pertinência deve ser obrigatoriamente registado neste nosso modesto blogue. É o caso do mais recente post do Sr. João Pacheco de Melo publicado a 29 de Maio p.p.:
[Fugindo ao politicamente correcto, muito habitual nos meios da politica, do jornalismo e das comunidades do parlapier fiado, o autor identifica os problemas e as ameaças reais que pesam actualmente sobre os Açores. Anteriormente foram outras as ameaças, hoje são estas, bem reais e palpáveis, e o autor não tem receio de chamar os bois pelos nomes.
Neste post - e que foi também publicado no jornal diário «Açoriano Oriental»,o autor denunciao silêncio cúmplice, senão mesmo a actuação colaborante e anti-açoriana, da actual direcçãopolítica do PSD nos Açores e também a passividade e a obediência humilhante dos Deputadosda Nação eleitos pelos Açores e que na AssembleiadaRepública ainda não se fartaram de votar a favor do Governo neo-comunista liberal de Lisboa em todas as matérias que retiram competências e direitos essenciais aos Açores e à nossa periclitante Autonomia.
Numa altura em que a cobardia aliada a questões básicas de intendência invadiram o nosso quotodiano político, eis mais uma pedrada neste charco putrefacto de cumplicidades e recheado de facadinhas nas costas do Povo Açoriano]
A partir de hoje, segunda-feira, dia 4 de Junho de 2012, a RTP- ex-Açores, por motivos alegadamente economicistas, deixa de transmitir em directo e ao vivo a partir das 07:30 da manhã, o açorianíssimo programa matinal e de autêntico serviço público, denominado Bom Dia Açores e da responsabilidade do jornalista Pedro Moura.
Dentro de momentos o canal ex-Açores, vai receber e retransmitir em directo (e em simultâneo como mais três ou quatros canais para todo o globo), o Bom Dia Relvaquistão, onde não vão faltar informações utilíssimas sobre os acessos às pontes Vasco da Gama, 25 de Abril, Arrábida e D. Luis I, sem esquecer o nó do Feijó, a recta de Benfica e a recta da Coina...
Também vamos ficar a par do tempo nas Penhas Douradas, em Faro, Lisboa, Madrid, Paris, Berlim e Moscovo.
Como vêm, tudo informações muito úteis para os nossosautomobilistas, lavradores,pescadores, donas-de-casa ou passageiros que querem viajar na SATA, na Atlanticoline ou na Transmaçor...
E é com aquelas cabeças de inhame que estão à frente (ou melhor: encostados à parede!) da RTP-ex-Açores, que vamos ter que gramar, até um dia que tenham vergonha na cara!