domingo, 13 de maio de 2012

EM MEMÓRIA DE BERNARDO SASSETTI




[Bernardo Sasseti - Da Noite ao Silêncio]

Vítima de trágico acidente faleceu Bernardo Sassetti, brilhante compositor e pianista, e que ainda tinha muito para dar à música e às artes em geral.

Esteve várias vezes entre nós, actuando no Teatro Micaelense e participando no AngraJazz.

Era um incondicional amigo dos Açores e tinha muitos amigos e apreciadores cá.

A vida tem destas coisas e quando menos se espera acontece algo de trágico.

Bernardo Sassetti , era ainda muito jovem, mas possuia já um riquíssimo curriculum na música, no piano e no palco. Foi traído por uma das suas alucinantes paixões: a fotografia. A arte da fotografia.

Também era um militante das causas sociais e culturais. A sua morte trágica e prematura deixa inegavelmente Portugal muito mais pobre.

Da sua biografia destacamos o seguinte: Bernardo Sassetti, nome artístico de Bernardo da Costa Sasseti Pais, descendia de ilustres cidadãos: era bisneto de Sidónio Pais, Presidente da República Portuguesa, também conhecido pelo cognome de Presidente-Rei, e era também sobrinho-neto do compositor Luis de Freitas Branco, uma das figuras mais notáveis da cultura portuguesa da 1ª metade do século XX.

Como inveterado apreciador de música em todos os seus géneros, designadamente no jazz em que Bernardo Sassetti era um exímio executante e compositor, esta morte comoveu-nos muito e é com muita honra e sentimento que prestamos mais esta justíssima homenagem.

Como canta Luis Represas em 125 Azul:

«...Mas Deus leva os que mais ama;

Só Deus tem os que mais ama»

sábado, 12 de maio de 2012

SENHOR SANTO CRISTO DOS MILAGRES


[Hino do Senhor Santo Cristo]

Na cidade de Ponta Delgada estão a decorrer as festividades em honra do Sº Sº Cristo dos Milagres , o verdadeiro Senhor das Ilhas.

As cerimónias religiosas têm o seu ponto alto neste Sábado e amanhã, Domingo, com a realização da grandiosa e tradicional procissão do Sº Sº Cristo.

Este ano as cerimónias são presididas pelo Núncio Apostólico da Santa Sé em Portugal, D. Rino Passigato.

Segundo a Agência Ecclesia estão entre nós várias centenas de emigrantes açorianos, na sua grande maioria provenientes dos Estados Unidos da América, Canadá ou mesmo Brasil.

As festividades (profanas e religiosas) prolongar-se-ão durante a próxima semana, até à Quinta-Feira do Santo Cristo.

Algumas cerimónias e eventos podem ser seguidas em todo o Mundo através do site da Irmandade: www.santo-cristo.com/

Boas Festas a todos e uma boa estadia a todos os que nos visitam, dum modo muito especial os nossos emigrantes.

quinta-feira, 10 de maio de 2012

POVO, TRADIÇÃO E IDENTIDADE


[Festa do Espírito Santo da Aliança Jorgense, San José- Califórnia: 23 de Maio de 2010]


* Música: Hino do Espírito Santo*



Tradicionalmente os meses primaveris de Maio e Junho são muito significativos e auspiciosos para nós, Açorianos.

É nestes meses, regra geral, que se festeja com muito entusiasmo, fé e tradição o culto ao Divino Espírito Santo e que é uma das mais poderosas marcas identitárias do Povo Açoriano, quer aqui nestas maravilhosas ilhas atlânticas, quer no Novo Mundo onde se radicou a nossa diáspora, desde a mais remota (Brasil e Califórnia) até à mais recente (Nova Inglaterra, Canadá, Bermuda).

Nalgumas ilhas já começaram os tradicionais impérios e as emocionantes coroações, e é neste tempo de promissão que nos faz recuar docemente aos nossos tempos de infância.

É também a partir do mês Maio que se inicia na ilha Terceira a temporada das touradas à corda, e que, pese embora alguma polémica, são uma tradição muito forte e popular naquela ilha e também noutras do grupo central, e que nada tem a ver com as estrangeiradas e bárbaras touradas de praça.

Por outro lado, na Ilha de S. Miguel é também no mês de Maio, regral geral, que se realizam as grandiosas festividades religiosas em honra ao Senhor Santo Cristo dos Milagres, um culto que já tem mais de três séculos, e que muito significado tem para todos nós, e num modo muito especial para os nossos emigrantes, que sempre que podem , regressam para cumprir as suas promessas e agradecer junto do Sº Sº Cristo todas as graças alcançadas.

De facto é nesta época do ano que a Açorianiedade - todo este conjunto de valores sociais, culturais e religiosos que nos identificam como um Povo que tem uma identidade e uma tradição - atinge o seu ponto mais alto, e que culmina na celebração cívica do Dia dos Açores, instituido precisamente na Segunda-Feira do Espírito Santo (dia da pombinha), como traço de união entre todas as ilhas , para honrar os nossos conterrâneos que mais se destacaram e para exaltar a nossa liberdade e os nossos valores culturais.

Para muitos, felizmente, estes rituais de exaltação da açorianiedade prolongam-se até ao dia 6 de Junho, data incontornável da nossa história recente, e que ainda não obteve o seu devido destaque na cronologia açoriana.

quarta-feira, 9 de maio de 2012

FLA, DE NOVO....SEGUNDO O «DIÁRIO INSULAR»

[Foto da edição do Diário Insular de 09.05.2012]

Segundo a edição de hoje do «Diário Insular», publicado na Cidade Património Mundial de Angra do Heroismo, Ilha Terceira, os símbolos da FLA estão a ser investigados em várias ilhas, alegadamente pelas secretas portuguesas.:


Segundo a notícia deste diário terceirense: «Têm-se multiplicado pelas ilhas vários símbolos da FLA nos últimos dois anos. DI sabe que o fenómeno já está a ser investigado por serviços secretos, mas há quem duvide da associação dessas manifestações a um movimento politico».

Na 1ª coluna deste mesmo diário especifica-se mais o fenómeno: «Símbolos da FLA-Frente Libertação dos Açores recomeçam a ser exibidos publicamente nas ilhas.

Bandeiras ondulam ao vento, umas vezes solitárias, outras acompanhadas de bandeiras do Espírito Santo; nas paredes aparecem inscrições independentistas...»

Esta notícia, em conjunto com outras que têm surgido na nossa imprensa e até nas conversas de café e convívios sociais, revelam que o espírito açoriano e o instinto natural de defesa da nossa terra e da nossa identidade está a emergir, pacifica e orgulhosamente.

Associar a bandeira que a foto exibe à FLA é jornalisticamente um erro. Aquela bandeira é a bandeira histórica dos Açores, pelo que é muito preocupante saber que existem em curso alegadas investigações sobre este poderoso símbolo açoriano. Seria o mesmo que mandar investigar as antigas bandeiras de Portugal, nomeadamente a de D. Afonso Henriques ou a da Monarquia Constitucional, que muitas vezes encontramos hasteadas em edificios ou moradias de simpatizantes monárquicos...

Por outro lado, e não é a 1ªvez que este tipo de notícias sai (talvez seja para amedrontar e assustar!), como é que é possível num país que se diz pertencer à UE e que subscreveu todas as Cartas da ONU, sustentar investigações e prováveis perseguições, alegadamente (sublinhamos) por serviços secretos?...

E já agora, por que essas secretas não ocupam o seu precioso tempo em investigar e monitorizar as roubalheiras que neste preciso momento devem estar a ocorrer nalguns gabinetes de Lisboa, à conta do contribuinte português, pobre e ultrajado, e onde se transacciona a soberania nacional às talhadas?.....

CRIMINALIZAR OS RESPONSÁVEIS PELO EMPOBRECIMENTO ILÍCITO

As eleiçoes deste fim-de-semana nalguns países europeus, em especial na França e na Grécia, vieram de novo questionar as famigeradas políticas austeritárias que estão a ser adoptadas em toda a União Europeia, e que estão a suscitar consequências dramáticas na Grécia, Portugal, Irlanda, Itália, Espanha e até já chegaram ao miolo central desta (des)União (França, Holanda, Belgica).


Estamos a assistir, entre países desta mesma União, não só a uma mega transferência de capitais e recursos entre países - da periferia para o centro (Alemanha), como a uma transferência massiva de riqueza interna- nos países sujeitos a programas severos de austeridade - dos parcos recursos e haveres de cidadãos pobres/remediados/classes médias em direcção a instituições financeiras, monopólios de serviços, cadeias de grande distribuição, capitalistas predadores e até o próprio Estado, que na sua ânsia e lascívia de cobrar impostos, atropela os direitos básicos dos cidadãos, e se for preciso, como já está acontecendo em Portugal, põe os pés na própria Consituição.


Nesta Europa do saque, da corrupção, da burocracia, dos impostos e do confisco , é preferível salvar um banco ou um exmo banqueiro do que salvar 10 mil ou 20 mil cidadãos da fome, da miséria e nalguns casos do próprio suicídio.


É o que se passa em Portugal, um país onde a Constituição vale tanto como uma folha de couve. Ataca-se o trabalho, o salário, a magra pensão, e por outro lado protege-se o capital financeiro, os grandes contratos, os oligopólios ou mesmo os monopólios da distribuição, das telecomunicações, da energia, das estradas, dos combustíveis.


Estamos a assistir ao maior saque que há memória na História. Rasga-se os contratos de trabalho, os contratos sociais, corta-se nos vencimentos e nos subsídios, rouba-se nas reformas de pessoas que trabalharam uma vida inteira, mas não se toca nas coutadas da nomenklatura, da classe politica cleptocráctica, dos capitalistas protegidos pelo Estado e pelas leis, muitas delas cozinhadas em escritórios da alta advocacia e da parecerística oficial de Estado.


Os orgãos de soberania não existem, ou se existem, é para inglês ver ou para proteger os mais fortes e protegidos. Todo vigor e força da lei e toda a burocracia kafkiana cai inapelavelmente em cima do cidadão comum. Penhora-se salários, carros, casas, terras, gado, etc. Executa-se casas e outras propriedades que valem 50 ou 100 por dívidas fiscais ou contributivas no valor de 1 ou 2. Os bancos e as financeiras, protegidos pelo Estado e pela lei, para além de megas ajudas que recem ou vão receber deste, capturam bens que valem 100, alienando-os posteriormente por 20 ou 30, ficando ainda o pobre devedor escravizado para o resto da dívida.


Toda esta situação dramática já está acontecendo entre nós, nos Açores, pois há dias soubemos que um chefe de família que trabalhou toda a sua vida para comprar uma casa e sustentar os seus filhos - sem quaisquer auxílios do Estado !- está na contigência de perder a sua casa (já com 12 anos de pagamento ininterrupto das prestações) por não poder agora pagar em virtude de ter caído brutalmente no desemprego e por a sua mulher ficar doravante sem os subsídios a que tinha direito, como funcionária pública.


Se é legítimo processar ou julgar quem foi responsável por todas as situações de enriquecimento ilícito, gestão danosa, gastos perdulários, nepotismo, compadrio, etc- como já foi ventilado na comunicação social - é ainda mais legítimo processar e até criminalizar quem, com as suas acções e/ou omissões, está levando famílias e comunidades inteiras para a miséria, fome e desespero.


Aqui, nos Açores, não contribuímos para as roubalheiras públicas e privadas que aconteceram em Portugal e na Madeira, por isso reservamos o direito de processar todos aqueles que estão a consentir e a promover o roubo dos nossos salários, dos nossos bens e até do nosso futuro e do futuro dos nossos filhos.


Embora a solução politica nos Açores passe pela rejeição completa deste modelo de dependência e de dependências em relação a Lisboa, a verdade é que enquanto isto não fôr resolvido politicamente, as nossas Instituições, os nossos Orgãos de Governo Próprio e os movimentos da nossa sociedade civil, têm que estar prepararados para defender os nossos cidadãos, as nossas comunidades e as nossas queridas Ilhas, e pedir contas a quem nos está sujeitando a esta escravidão da dívida.


Se ao longo da História já provámos que sabemos lidar com cataclismos naturais (vulcões, sismos, terramotos, ciclones, inundações), certamente saberemos lidar com ladrões, corsários, piratas, centralistas e colonialistas.

terça-feira, 8 de maio de 2012

O «BOM DIA AÇORES» VAI ACABAR

Há poucos dias soubemos pela boca do próprio Pedro Moura, jornalista responsável pelo popular programa televisivo «Bom Dia Açores» da RTP-Açores, e também pela imprensa que se publica na Região, que este programa iria terminar no próximo dia 11 de Maio por cessação de contrato.

Esta cessação decorre das radicais alterações que a (ainda) RTP-Açores vai sofrer a partir deste mês com a implementação da famigerada janela de quatro horas (ou seis ?) diárias de programação regional para horário nocturno.

O programa «Bom Dia Açores» foi (e ainda é) um programa bastante eclético e interactivo, e tem sido uma companhia muito agradável nas manhãs açorianas , com repetição em diferido nos fins de tardes dalguns compactos.

Desde a omipresente meteorologia - fundamental para quem vive aqui nestas ilhas dispersas ao longo do Atlântico Norte! - até a eventos desportivos, religiosos, culturais, revista de imprensa, festas, folclore, prevenção rodoviária, noticiário policial , etc., de tudo um pouco, é ventilado neste programa o que constitui um verdadeiro serviço público.

Em virtude da sua emissão matinal este programa tinha e tem um público alvo muito específico e é uma companhia muito apreciada pela nossa população rural que gosta de saber de coisas doutras ilhas, do tempo que vai fazer ou mesmo acompanhar reportagens de festas, procissões e entrevistas em directo.

Nesse programa, os protogonistas são sempre as pessoas comuns, aqueles que diariamente fazem os Açores e que se levantam cedo para pôr esta Região a funcionar.

Infelizmente, e mercê de mais um ataque despudorado e inqualificável dos centralistas de Lisboa, este programa, e muitos outros de índole e produção regional, vão acabar.

Convém lembrar que a RTP-Açores, apesar das contigências e dos propósitos politicos que presidiram à sua implantação em 1975, tem tido um papel relevante na unidade açoriana e foi indubitavelmente um veículo de aproximação, intercâmbio, consciencialização e conhecimento entre as nossas ilhas e respectivas populações.

Reduzir a RTP-Açores a uma simples janela de 4 horas diárias é uma verdadeira afronta a todos os Açorianos, pois o que está em causa não são as verbas, mas um dos símbolos mais ilustrativos da actual autonomia e que desde o início vinculava o Estado Português na manutenção desta estrutura, em razão da nossa insularidade e especificidade.

Este é mais um dos muitos ataques que foram feitos contra os Açores e contra os Açorianos, e muitos mais estão em preparação.

Cabe a nós, Açorianos, com a superioridade moral que nos caracteriza e nos assiste, ponderar e reflectir, se faz sentido ter uma televisão falsamente açoriana, ligada e controlada por Lisboa, ou se pelo contrário a Região convida a RTP a desamparar a loja definitivamente e com isto, abrindo caminho a alterações profundas que urge iniciar.

Todos nós sabemos - e a famigerada crise é pretexto para tudo e mais alguma coisa - que a RTP-mãe não tem dinheiro para a RTP-Açores e RTP-Madeira, mas tem dinheiro q.b. para programas de autêntico «serviço público», desde programas de bola e de futebol até às tantas; toiradas reais; debates com tiriricas; shows com putedo e coirões; concursos parvos, etc., etc.

Que a RTP portuguesa seja muito feliz e que desapareça dos Açores o mais depressa possível, pois a partir de agora não faz cá falta nenhuma!

segunda-feira, 7 de maio de 2012

OUI, C'EST LA FRANCE!

Confirmando todas as sondagens e todas as expectivas, François Hollande, o candidato do centro-esquerda, venceu as eleições presidenciais em França.

Como disse o próprio candidato, e agora presidente eleito, a França não é um país qualquer.

É um país fundador da União Europeia, a segunda economia da UE e tem assento no Conselho de Segurança da ONU, para além de ter uma influência cultural e simbólica a nível global.

É verdade que a grandeur de França já não é o que foi, todavia este país do centro-oeste do continente europeu ainda tem muita vitalidade e importância no xadrez da politica mundial.

François Hollande, candidato do campo socialista, apresentou-se a estas eleições presidenciais francesas, quer na primeira volta, quer na segunda, com um programa ambicioso de mudança e de ruptura com as políticas preconizadas pela dupla Merkel-Sarkozy e que tem empurrado gradualmente a Europa para uma implosão assistida.

Convém referir que François Hollande, embora seja oriundo do centro-esquerda do espectro politico francês, teve a recomendação de voto do candidato centrista da 1ª volta (François Bayrou); o apoio expresso do ex-presidente conservador Jacques Chirac; agregou os votos da candidata dos «verdes» e da esquerda radical, e até obteve uma quantidade não negligenciável de votos oriundos da Front Nacional de Marine Le Pen, que como é sabido tem uma base eleitoral muito próxima do ex-P.C. francês (operariado francês conservador, muito assustado e revoltado com a imigração descontrolada e com a insegurança nas periferias urbanas e cinturas industriais).

Não sendo um candidato muito carismático, a verdade é que François Hollande fez a ponte entre um mosaico de eleitores muito diversificado, e neste momento, a sua eleição para Presidente de França, é indubitavelmente um motivo de esperança.

A União Europeia, tal e qual como está, não tem condições de progredir e muito menos de subsistir.

As políticas fortemente austeritárias e monetaristas, impostas pelo ainda eixo franco-alemão, e subscritas acriticamente por uma Comissão Europeia acéfala e dispensável, estão a conduzir Europa, por um lado, para a sua destruição, e por outro estão a proporcionar uma transferência liquida de riqueza da periferia para o centro, insuportável para pequenos países, como é o caso de Portugal.

Embora seja ainda muito cedo para avaliar as consequências do slogan de François Hollande - «Le Changement, c'est Maintenant!» - a verdade é que um novo paradigma poderá estar a surgir na Europa e oxalá que as políticas da dupla Merkozy sejam mortas e enterradas.

Dum ponto de vista doméstico, esta eleição poderá ter reflexos e consequências na nossa Região - os Açores - em especial nas próximas eleições legislativas, onde muitas das questões levantadas em França estarão presentes aqui, salvaguardadas as devidas distâncias.