quinta-feira, 10 de maio de 2012

POVO, TRADIÇÃO E IDENTIDADE


[Festa do Espírito Santo da Aliança Jorgense, San José- Califórnia: 23 de Maio de 2010]


* Música: Hino do Espírito Santo*



Tradicionalmente os meses primaveris de Maio e Junho são muito significativos e auspiciosos para nós, Açorianos.

É nestes meses, regra geral, que se festeja com muito entusiasmo, fé e tradição o culto ao Divino Espírito Santo e que é uma das mais poderosas marcas identitárias do Povo Açoriano, quer aqui nestas maravilhosas ilhas atlânticas, quer no Novo Mundo onde se radicou a nossa diáspora, desde a mais remota (Brasil e Califórnia) até à mais recente (Nova Inglaterra, Canadá, Bermuda).

Nalgumas ilhas já começaram os tradicionais impérios e as emocionantes coroações, e é neste tempo de promissão que nos faz recuar docemente aos nossos tempos de infância.

É também a partir do mês Maio que se inicia na ilha Terceira a temporada das touradas à corda, e que, pese embora alguma polémica, são uma tradição muito forte e popular naquela ilha e também noutras do grupo central, e que nada tem a ver com as estrangeiradas e bárbaras touradas de praça.

Por outro lado, na Ilha de S. Miguel é também no mês de Maio, regral geral, que se realizam as grandiosas festividades religiosas em honra ao Senhor Santo Cristo dos Milagres, um culto que já tem mais de três séculos, e que muito significado tem para todos nós, e num modo muito especial para os nossos emigrantes, que sempre que podem , regressam para cumprir as suas promessas e agradecer junto do Sº Sº Cristo todas as graças alcançadas.

De facto é nesta época do ano que a Açorianiedade - todo este conjunto de valores sociais, culturais e religiosos que nos identificam como um Povo que tem uma identidade e uma tradição - atinge o seu ponto mais alto, e que culmina na celebração cívica do Dia dos Açores, instituido precisamente na Segunda-Feira do Espírito Santo (dia da pombinha), como traço de união entre todas as ilhas , para honrar os nossos conterrâneos que mais se destacaram e para exaltar a nossa liberdade e os nossos valores culturais.

Para muitos, felizmente, estes rituais de exaltação da açorianiedade prolongam-se até ao dia 6 de Junho, data incontornável da nossa história recente, e que ainda não obteve o seu devido destaque na cronologia açoriana.

quarta-feira, 9 de maio de 2012

FLA, DE NOVO....SEGUNDO O «DIÁRIO INSULAR»

[Foto da edição do Diário Insular de 09.05.2012]

Segundo a edição de hoje do «Diário Insular», publicado na Cidade Património Mundial de Angra do Heroismo, Ilha Terceira, os símbolos da FLA estão a ser investigados em várias ilhas, alegadamente pelas secretas portuguesas.:


Segundo a notícia deste diário terceirense: «Têm-se multiplicado pelas ilhas vários símbolos da FLA nos últimos dois anos. DI sabe que o fenómeno já está a ser investigado por serviços secretos, mas há quem duvide da associação dessas manifestações a um movimento politico».

Na 1ª coluna deste mesmo diário especifica-se mais o fenómeno: «Símbolos da FLA-Frente Libertação dos Açores recomeçam a ser exibidos publicamente nas ilhas.

Bandeiras ondulam ao vento, umas vezes solitárias, outras acompanhadas de bandeiras do Espírito Santo; nas paredes aparecem inscrições independentistas...»

Esta notícia, em conjunto com outras que têm surgido na nossa imprensa e até nas conversas de café e convívios sociais, revelam que o espírito açoriano e o instinto natural de defesa da nossa terra e da nossa identidade está a emergir, pacifica e orgulhosamente.

Associar a bandeira que a foto exibe à FLA é jornalisticamente um erro. Aquela bandeira é a bandeira histórica dos Açores, pelo que é muito preocupante saber que existem em curso alegadas investigações sobre este poderoso símbolo açoriano. Seria o mesmo que mandar investigar as antigas bandeiras de Portugal, nomeadamente a de D. Afonso Henriques ou a da Monarquia Constitucional, que muitas vezes encontramos hasteadas em edificios ou moradias de simpatizantes monárquicos...

Por outro lado, e não é a 1ªvez que este tipo de notícias sai (talvez seja para amedrontar e assustar!), como é que é possível num país que se diz pertencer à UE e que subscreveu todas as Cartas da ONU, sustentar investigações e prováveis perseguições, alegadamente (sublinhamos) por serviços secretos?...

E já agora, por que essas secretas não ocupam o seu precioso tempo em investigar e monitorizar as roubalheiras que neste preciso momento devem estar a ocorrer nalguns gabinetes de Lisboa, à conta do contribuinte português, pobre e ultrajado, e onde se transacciona a soberania nacional às talhadas?.....

CRIMINALIZAR OS RESPONSÁVEIS PELO EMPOBRECIMENTO ILÍCITO

As eleiçoes deste fim-de-semana nalguns países europeus, em especial na França e na Grécia, vieram de novo questionar as famigeradas políticas austeritárias que estão a ser adoptadas em toda a União Europeia, e que estão a suscitar consequências dramáticas na Grécia, Portugal, Irlanda, Itália, Espanha e até já chegaram ao miolo central desta (des)União (França, Holanda, Belgica).


Estamos a assistir, entre países desta mesma União, não só a uma mega transferência de capitais e recursos entre países - da periferia para o centro (Alemanha), como a uma transferência massiva de riqueza interna- nos países sujeitos a programas severos de austeridade - dos parcos recursos e haveres de cidadãos pobres/remediados/classes médias em direcção a instituições financeiras, monopólios de serviços, cadeias de grande distribuição, capitalistas predadores e até o próprio Estado, que na sua ânsia e lascívia de cobrar impostos, atropela os direitos básicos dos cidadãos, e se for preciso, como já está acontecendo em Portugal, põe os pés na própria Consituição.


Nesta Europa do saque, da corrupção, da burocracia, dos impostos e do confisco , é preferível salvar um banco ou um exmo banqueiro do que salvar 10 mil ou 20 mil cidadãos da fome, da miséria e nalguns casos do próprio suicídio.


É o que se passa em Portugal, um país onde a Constituição vale tanto como uma folha de couve. Ataca-se o trabalho, o salário, a magra pensão, e por outro lado protege-se o capital financeiro, os grandes contratos, os oligopólios ou mesmo os monopólios da distribuição, das telecomunicações, da energia, das estradas, dos combustíveis.


Estamos a assistir ao maior saque que há memória na História. Rasga-se os contratos de trabalho, os contratos sociais, corta-se nos vencimentos e nos subsídios, rouba-se nas reformas de pessoas que trabalharam uma vida inteira, mas não se toca nas coutadas da nomenklatura, da classe politica cleptocráctica, dos capitalistas protegidos pelo Estado e pelas leis, muitas delas cozinhadas em escritórios da alta advocacia e da parecerística oficial de Estado.


Os orgãos de soberania não existem, ou se existem, é para inglês ver ou para proteger os mais fortes e protegidos. Todo vigor e força da lei e toda a burocracia kafkiana cai inapelavelmente em cima do cidadão comum. Penhora-se salários, carros, casas, terras, gado, etc. Executa-se casas e outras propriedades que valem 50 ou 100 por dívidas fiscais ou contributivas no valor de 1 ou 2. Os bancos e as financeiras, protegidos pelo Estado e pela lei, para além de megas ajudas que recem ou vão receber deste, capturam bens que valem 100, alienando-os posteriormente por 20 ou 30, ficando ainda o pobre devedor escravizado para o resto da dívida.


Toda esta situação dramática já está acontecendo entre nós, nos Açores, pois há dias soubemos que um chefe de família que trabalhou toda a sua vida para comprar uma casa e sustentar os seus filhos - sem quaisquer auxílios do Estado !- está na contigência de perder a sua casa (já com 12 anos de pagamento ininterrupto das prestações) por não poder agora pagar em virtude de ter caído brutalmente no desemprego e por a sua mulher ficar doravante sem os subsídios a que tinha direito, como funcionária pública.


Se é legítimo processar ou julgar quem foi responsável por todas as situações de enriquecimento ilícito, gestão danosa, gastos perdulários, nepotismo, compadrio, etc- como já foi ventilado na comunicação social - é ainda mais legítimo processar e até criminalizar quem, com as suas acções e/ou omissões, está levando famílias e comunidades inteiras para a miséria, fome e desespero.


Aqui, nos Açores, não contribuímos para as roubalheiras públicas e privadas que aconteceram em Portugal e na Madeira, por isso reservamos o direito de processar todos aqueles que estão a consentir e a promover o roubo dos nossos salários, dos nossos bens e até do nosso futuro e do futuro dos nossos filhos.


Embora a solução politica nos Açores passe pela rejeição completa deste modelo de dependência e de dependências em relação a Lisboa, a verdade é que enquanto isto não fôr resolvido politicamente, as nossas Instituições, os nossos Orgãos de Governo Próprio e os movimentos da nossa sociedade civil, têm que estar prepararados para defender os nossos cidadãos, as nossas comunidades e as nossas queridas Ilhas, e pedir contas a quem nos está sujeitando a esta escravidão da dívida.


Se ao longo da História já provámos que sabemos lidar com cataclismos naturais (vulcões, sismos, terramotos, ciclones, inundações), certamente saberemos lidar com ladrões, corsários, piratas, centralistas e colonialistas.

terça-feira, 8 de maio de 2012

O «BOM DIA AÇORES» VAI ACABAR

Há poucos dias soubemos pela boca do próprio Pedro Moura, jornalista responsável pelo popular programa televisivo «Bom Dia Açores» da RTP-Açores, e também pela imprensa que se publica na Região, que este programa iria terminar no próximo dia 11 de Maio por cessação de contrato.

Esta cessação decorre das radicais alterações que a (ainda) RTP-Açores vai sofrer a partir deste mês com a implementação da famigerada janela de quatro horas (ou seis ?) diárias de programação regional para horário nocturno.

O programa «Bom Dia Açores» foi (e ainda é) um programa bastante eclético e interactivo, e tem sido uma companhia muito agradável nas manhãs açorianas , com repetição em diferido nos fins de tardes dalguns compactos.

Desde a omipresente meteorologia - fundamental para quem vive aqui nestas ilhas dispersas ao longo do Atlântico Norte! - até a eventos desportivos, religiosos, culturais, revista de imprensa, festas, folclore, prevenção rodoviária, noticiário policial , etc., de tudo um pouco, é ventilado neste programa o que constitui um verdadeiro serviço público.

Em virtude da sua emissão matinal este programa tinha e tem um público alvo muito específico e é uma companhia muito apreciada pela nossa população rural que gosta de saber de coisas doutras ilhas, do tempo que vai fazer ou mesmo acompanhar reportagens de festas, procissões e entrevistas em directo.

Nesse programa, os protogonistas são sempre as pessoas comuns, aqueles que diariamente fazem os Açores e que se levantam cedo para pôr esta Região a funcionar.

Infelizmente, e mercê de mais um ataque despudorado e inqualificável dos centralistas de Lisboa, este programa, e muitos outros de índole e produção regional, vão acabar.

Convém lembrar que a RTP-Açores, apesar das contigências e dos propósitos politicos que presidiram à sua implantação em 1975, tem tido um papel relevante na unidade açoriana e foi indubitavelmente um veículo de aproximação, intercâmbio, consciencialização e conhecimento entre as nossas ilhas e respectivas populações.

Reduzir a RTP-Açores a uma simples janela de 4 horas diárias é uma verdadeira afronta a todos os Açorianos, pois o que está em causa não são as verbas, mas um dos símbolos mais ilustrativos da actual autonomia e que desde o início vinculava o Estado Português na manutenção desta estrutura, em razão da nossa insularidade e especificidade.

Este é mais um dos muitos ataques que foram feitos contra os Açores e contra os Açorianos, e muitos mais estão em preparação.

Cabe a nós, Açorianos, com a superioridade moral que nos caracteriza e nos assiste, ponderar e reflectir, se faz sentido ter uma televisão falsamente açoriana, ligada e controlada por Lisboa, ou se pelo contrário a Região convida a RTP a desamparar a loja definitivamente e com isto, abrindo caminho a alterações profundas que urge iniciar.

Todos nós sabemos - e a famigerada crise é pretexto para tudo e mais alguma coisa - que a RTP-mãe não tem dinheiro para a RTP-Açores e RTP-Madeira, mas tem dinheiro q.b. para programas de autêntico «serviço público», desde programas de bola e de futebol até às tantas; toiradas reais; debates com tiriricas; shows com putedo e coirões; concursos parvos, etc., etc.

Que a RTP portuguesa seja muito feliz e que desapareça dos Açores o mais depressa possível, pois a partir de agora não faz cá falta nenhuma!

segunda-feira, 7 de maio de 2012

OUI, C'EST LA FRANCE!

Confirmando todas as sondagens e todas as expectivas, François Hollande, o candidato do centro-esquerda, venceu as eleições presidenciais em França.

Como disse o próprio candidato, e agora presidente eleito, a França não é um país qualquer.

É um país fundador da União Europeia, a segunda economia da UE e tem assento no Conselho de Segurança da ONU, para além de ter uma influência cultural e simbólica a nível global.

É verdade que a grandeur de França já não é o que foi, todavia este país do centro-oeste do continente europeu ainda tem muita vitalidade e importância no xadrez da politica mundial.

François Hollande, candidato do campo socialista, apresentou-se a estas eleições presidenciais francesas, quer na primeira volta, quer na segunda, com um programa ambicioso de mudança e de ruptura com as políticas preconizadas pela dupla Merkel-Sarkozy e que tem empurrado gradualmente a Europa para uma implosão assistida.

Convém referir que François Hollande, embora seja oriundo do centro-esquerda do espectro politico francês, teve a recomendação de voto do candidato centrista da 1ª volta (François Bayrou); o apoio expresso do ex-presidente conservador Jacques Chirac; agregou os votos da candidata dos «verdes» e da esquerda radical, e até obteve uma quantidade não negligenciável de votos oriundos da Front Nacional de Marine Le Pen, que como é sabido tem uma base eleitoral muito próxima do ex-P.C. francês (operariado francês conservador, muito assustado e revoltado com a imigração descontrolada e com a insegurança nas periferias urbanas e cinturas industriais).

Não sendo um candidato muito carismático, a verdade é que François Hollande fez a ponte entre um mosaico de eleitores muito diversificado, e neste momento, a sua eleição para Presidente de França, é indubitavelmente um motivo de esperança.

A União Europeia, tal e qual como está, não tem condições de progredir e muito menos de subsistir.

As políticas fortemente austeritárias e monetaristas, impostas pelo ainda eixo franco-alemão, e subscritas acriticamente por uma Comissão Europeia acéfala e dispensável, estão a conduzir Europa, por um lado, para a sua destruição, e por outro estão a proporcionar uma transferência liquida de riqueza da periferia para o centro, insuportável para pequenos países, como é o caso de Portugal.

Embora seja ainda muito cedo para avaliar as consequências do slogan de François Hollande - «Le Changement, c'est Maintenant!» - a verdade é que um novo paradigma poderá estar a surgir na Europa e oxalá que as políticas da dupla Merkozy sejam mortas e enterradas.

Dum ponto de vista doméstico, esta eleição poderá ter reflexos e consequências na nossa Região - os Açores - em especial nas próximas eleições legislativas, onde muitas das questões levantadas em França estarão presentes aqui, salvaguardadas as devidas distâncias.

sábado, 5 de maio de 2012

OS DONOS DE PORTUGAL



Recentemente a RTP2 emitiu um documentário histórico com o título «Os Donos de Portugal», da autoria de Jorge Costa, e que faz uma breve retrospectiva da economia em Portugal e em especial do domínio e influência das principais famílias burguesas e capitalistas, desde os finais do século XIX até à actualidade.

Descontando alguma carga ideológica que poderá ser apontada a este documentário, a verdade é que são elencados uma série de factos históricos e políticos que foram determinantes para a consolidação, protecção e expansação do poder das principais famílias da aristocracia financeira, industrial e comercial de Portugal.

Gerações inteiras destas famílias passaram incólumes e impunes, durante muito tempo, desde a Monarquia Constitucional, a I República, o Estado Novo até próprio regime democrático saído do 25 de Abril.

Este documentário revela muito bem como essas famílias - os Donos de Portugal - têm sobrevivido em todos os regimes, e em especial nestes dois últimos: no Estado Corporativo de Salazar e Caetano e no Estado Social da III República.

Em todos estes regimes - corporativo e democrático - as famílias que compõem o restrito clube dos Donos de Portugal, contaram com a protecção do Estado, com a conivência das respectivas classes politicas e aproveitaram até ao último tostão todos as benesses, benefícios fiscais e financeiros concedidos pelo Estado, enquanto este, rapinava (e continua a rapinar) brutalmente os contribuintes/cidadãos deste desgraçado País.

Por inerência de funções, muitos desses Donos de Portugal, têm sido também donos dos Açores (da sua economia, banca , investimentos, propriedades,etc).

Ao longo dos séculos (e já vão quase seis!!!!), os Açores e os Açorianos têm sido espoliados, quer por via fiscal, quer por políticas estatais de condicionamento industrial ou de protecção dos monopólios com sede em Lisboa, por estas famílias, grupos ou corporações com sede no eixo Lisboa/Cascais/Estoril e que contando com a protecção dos governos centralistas e colonialistas da Metrópole (independentemente dos respectivos regimes) também têm sugado os Açores e muitas vezes condenaram os Açorianos à fome, emigração e subdesenvolvimento.

Perante a nova realidade dos factos e dos novos enquadramentos politicos e económicos do Mundo em que nós estamos inseridos, há que quebrar este enguiço e gradualmente deixar que os Donos de Portugal não sejam os Donos dos Açores, quer por herança, quer por sujeição a leis que são contrárias aos nossos interesses e à Sociedade Açoriana.

Um documentário bastante didáctico e que explica muito bem como é que os contribuintes têm que fazer sacrifícios para que as grandes famílias que mandam efectivamente em Portugal não soçobram...

E ainda, no final do ano passado, ficámos atónitos quando deputados da Nação, eleitos pelos Açores, concordaram e contemporizaram com a cobrança da sobretaxa extraordinária aka roubo ao subsídio de Natal e que a mesma revertesse a/f dos cofres centrais, certamente para pagar os «encargos gerais da Nação», entre os quais estão as elevadas rendas vitalícias às famílias donas de Portugal.

Claro, enquanto nos Açores houver deputados (?) com esta percepção, nunca passaremos duma colónia às ordens...

NOBRE POVO, NAÇÃO GEMENTE

[Foto de Paulo Novais para o jornal i]

sexta-feira, 4 de maio de 2012

PORTUGAL, UM PAÍS DO TERCEIRO-MUNDO!

No passado dia 1 de Maio , assistimos incrédulos a um espectáculo degradante que se traduziu numa tresloucada corrida às compras em resposta a uma surpreendente campanha de descontos protogonizada por uma cadeia de mega mercearias.

Fazendo fé nas imagens que entravam em nossa casa através dalguns canais de notícias, por uns momentos parecia que todo aquele inaudito espectáculo se passava em Port-au-Prince, no Haiti ou nalgum país que estivesse em vesperas de entrar num qualquer guerra.

É verdade que em todos os países - e designadamente nos países campeões da sociedade de consumo (EUA, Reino Unido, Brasil) - este tipo de campanhas de descontos e de saldos é muito frequente, mas são realizadas com alguma organização, agendamento e previsabilidade, até por uma questão de segurança, quer dos clientes, quer dos trabalhadores e também dos próprios estabelecimentos.

O que aconteceu no dia 1 de Maio - para além de ser uma provocação gratuita ao dia sagrado dos trabalhadores - foi uma operação que roçou o terrorismo comercial e recheada de ilegalidades conforme já detectadas pelas autoridades de fiscalização.

Mas o mais impressionante nesta operação comercial foi ver um país - Portugal, de norte a sul - assustado pelo dia de amanhã e que pulou da cama para se abastecer com alguns quilos de arroz, bacalhaus, frangos e até whisky, conforme rezam as crónicas.

Onde alguns pseudo-intelectuais de estrebaria (com um tal Villaverde Cabral) viram um golpe de genialidade ou como alguns bloguers e comentadores a recibo-verde viram uma manifestação de liberdade económica e de consumo, nós vimos o retrato fiel dum país, dum povo, duma governação e de um certo alto patronato.

Um país devastado e cheio de medo; um povo resignado, vencido e domesticado; uma governação aventureirista e de badamecos; um alto patronato, explorador, ressabiado, reaccionário e sucialista.

Enfim, uma autêntica miséria.

Felizmente nos Açores, estamos ainda livres desses espectáculos degradantes para a condição humana, e promovidos por provocadores e até por uma organização que é propriedade dum tipo que tem no seu cartão-de-visita a condição de «católico, vamos a casa...»...

quinta-feira, 3 de maio de 2012

AFINAL A CONSTITUIÇÃO DA R.P. AINDA ESTÁ EM VIGOR, MAS «SÓ» PARA OS AÇORES...

Numa altura em que o texto constitucional português vale tanto como uma promissória imprensa numa folha de couve, a produção legislativa açoriana e bem assim a respectiva governação autónoma é fiscalizada e monitorizada à lupa, e, nalguns casos ao microscópio.

Ainda recentemente o Prof. Adriano Moreira disse que a Constituição da República Portuguesa não está a ser respeitada, em vários domínios, e dava o exemplo da «expropriação» compulsiva dos subsídios de férias e de Natal dos funcionários públicos, para além da rescisão unilateral de diversos contratos sociais e financeiros entre o Estado e os cidadãos.

Outros eminentes professores, como é o caso do Prof. Freitas do Amaral e até o próprio constitucionalista próximo do actual poder em Lisboa, Prof. Bacelar de Gouveia, já chamaram a atenção para o incumprimento sistemático e reiterado da Constituição por parte dos orgãos de soberania que têm o dever de zelar pelo texto constitucional, ao qual prestaram juramento.

Mas se isto é verdade para a quase generalidade da vida politica, social e económica deste país, no que se refere aos Açores, ao seu estatuto e actuação dos seus orgãos de governo próprio, os fiscais estão muito atentos e andam sempre à procura dum qualquer pintelho constitucional para travar e cercear os nossos direitos politicos e históricos.

É o que se passou novamente com o pedido de fiscalização sucessiva em relação a um diploma legislativo regional sobre a prospecção e exploração dos recursos geológicos marinhos do mar do nosso arquipélago.

Este pedido de fiscalização é muito eloquente, pois já é um dado adquirido que nos nossos mares jazem muitas riquezas geológicas (e não só) e com o avanço de novas tecnologias de prospecção e exploração, poderão ser muito rentáveis do ponto de vista económico num futuro próximo.

Obviamente, e perante diversas notícias que dão conta que em redor do nosso mar já foram atribuidas algumas licenças de prospecção, é urgente delimitar e proteger os nossos direitos históricos, económicos e politicos sobre estes activos que estão sob a nossa jurisdição. E quem diz isto, diz também em relação ao domínio público marítimo que deve reverter para a nossa Região.

Concluida a pugna eleitoral que se avizinha, os Orgãos Próprios de Governo dos Açores têm que marcar a sua posição e elevar o patamar das nossas reinvidicações, sob pena dum belo dia acordarmos e vermos os nossos mares concessionados a chineses, alemães, russos, sauditas ou japoneses, como já está acontecendo em Portugal, que já começaram a vender os activos da pátria e as joias da coroa a estrangeiros!

Muita atenção, portanto. O Mar dos Açores é nosso.

quarta-feira, 2 de maio de 2012

ONDE ESTÃO OS «TIRIRICAS» DE SERVIÇO E OS LACAIOS DE LISBOA?

Segundo notícias veiculadas pela RTP e outros orgãos de comunicação nacionais, a Região Autónoma dos Açores é a entidade pública que leva menos tempo a pagar aos seus fornecedores. Precisamente 19 dias, o prazo médio de pagamento.

No lado diametralmente oposto encontra-se a Região Autónoma da Madeira, cujo prazo médio de pagamento ascende a 694 dias, ou seja quase dois anos.

Muito pertinho da R.A. da Madeira encontram-se uma variedade de instituições e entidades dependentes do Governo da República e que fazem a vida feia muitos fornecedores, principalmente a pequenas e médias empresas.:

http://www.ionline.pt/dinheiro/estado-atrasa-pagamentos-prazo-recorde-no-ultimo-trimestre-2011
Hoje também o Açoriano Oriental online publicou uma notícia onde o Presidente do Governo dos Açores denuncia uma dívida de 37, 8 milhões de euros da ADSE ao Serviço Regional de Saúde e isto no seguimento dum comentário a umas hipotéticas e pequeninas dívidas do SRE a alguns hospitais do Continente.

Estas duas notícias, revelam, afinal de contas, uma gestão equilibrada das nossas finanças públicas, apesar de todos os constragimentos nacionais e até das novas dificuldades de acesso a financiamento bancário, as quais são suscitadas pelo lastimável estado das finanças públicas portuguesas.

É verdade que nos Açores estão a aparecer muitas e novas dificuldades, contudo, devemos ser honestos e equilibrados na análise ou na crítica.

Por isso estranho muito que os mesmos que constantemente levantaram (e continuam nessa empresa...) uma campanha de difamação contra os Açores e contra a sua situação financeira, estejam muito caladinhos e sonsos.

De facto é com muita consternação (e até raiva) que assistimos diariamente a esse tipo de campanhas negras, financiadas por Lisboa, com o objectivo de arrastar os Açores e os Açorianos para o atoleiro e para o lodaçal onde muitos já estão, como é o caso da Madeira e quase toda a estrutura do Estado Português.

Claro, se não fôssemos autónomos, Lisboa já tinha mandado para cá um fiscal ou um alto-comissário (apesar de permanecer por aí um representante..), mas se fôssemos independentes, esfregávamos na cara deles um proverbial manguito à Bordalo Pinheiro...

terça-feira, 1 de maio de 2012

DIGNIFICAR E VALORIZAR O TRABALHO







Comemorou-se hoje em várias partes do Mundo o 1º de Maio, Dia Internacional do Trabalhador, e instituido em memória dos operários mortos em 1886, durante uma manifestação em Chicago, quando lutavam pela jornada de 8 horas diárias.

É curioso notar que tem sido os EUA - contrariamente ao que é divulgado pela ortodoxia revolucionária europeia - o bastião onde se desenvolveram as grandes lutas sociais, laborais, culturais e politicas dos últimos dois séculos. Desde as lutas pelo sufrágio universal, pela emancipação da mulher, pela igualdade racialou mesmo pela liberdade de expressão, religiosa e de imprensa.

A própria Igreja Católica, institui também no seu calendário religioso o 1º de Maio em honra de S. José Operário, pai de Jesus Cristo, exaltando assim os valores do trabalho e a dignificação dos trabalhadores.

O Trabalho é um valor social e cultural fundamental na nossa sociedade. É através dele que nos realizamos; que nos libertamos e até nos santificamos.

E é com muita preocupação e indignação que assistimos actualmente quer Europa, quer em Portugal, e consequentemente nos Açores, a um agressivo revisionismo das leis e das condições do trabalho, onde o trabalhador passa a ser novamente, não uma mais-valia produtiva ou social, mas sim mais um custo ou factor de produção, perfeitamente descartável ou dispensável.

Enquanto esta Europa e este Portugal, estão mais preocupados em salvar bancos, banqueiros, corporações de negócios e parcerias público-privadas, do que em salvar famílias, homens e mulheres, cidadãos, no fundo, dia a dia vamos cavando mais fundo o fosso das desigualdades.

Em Portugal, e obviamente com reflexos nos Açores, está em curso um verdadeiro PREC contra as famílias, contra os trabalhadores e contra as classes médias.

O objectivo é desvalorizar a força do trabalho e pô-la ao nível de outros espaços geográficos, nomeadamente ao valor e preço da mão-de-obra da China ou de outros países do Sul da Ásia.

E acho igualmente curioso que partidos em Portugal - com as suas delegações e interesses nos Açores - e que neste momento estão no poder em Lisboa, queiram alinhar as leis do trabalho pelas pseudo-leis existentes em territórios onde o esclavagismo e a exploração são dominantes.

É o que se passa com o actual governo neo-comunista liberal de Lisboa, que para satisfazer os ditames da troika e da agiotagem internacional, desrespeitam os direitos dos trabalhadores, das suas organizações representativas e, em muitos casos, atentam contra a carta internacional dos Direitos Humanos.

Neste dia devemos lembrar e reler a enciclica «Rerum Novarum» do Papa Leão XIII, publicada em 15 de Maio de 1891, e que aborda de forma inovadora as relações laborais à data, as condições de trabalho a que os operários estavam sujeitos e constituiu também uma crítica vigorosa à falta de ética e humanismo na sociedade do seu tempo e que tal como hoje, são as grandes causas dos problemas sociais.

Esta Enciclica «Rerum Novarum» constituiu e ainda hoje constitui o pilar fundamental da chamada Doutrina Social da Igreja, cujos princípios foram há muito abandonados pelos partidos portugueses, nomeadamente o ex-CDS, actual PP, e que em tempos se reinvindicaram desta doutrina social.

Hojes, esses partidos são manifestamente anti-sociais e alinham pelos padrões sociais mais exigentes que vigoram na China comunista!

1º DE MAIO, DIA DO TRABALHADOR


«Construção», um tema musical de Chico Buarque d'Hollanda dedicado a um operário que morreu no corte de trabalho. Este vídeo do Youtube já ultrapassou as 3,4 milhões visualizações, o que demonstra a acuidade e a actualidade deste tema, quando cada vez mais se espezinha os mais fracos ou aqueles que não têm voz ou até aqueles que não têm sindicato para os defender.

«Amou daquela vez como se fosse a última,
Beijou sua mulher como se fosse a última,
E cada filho seu como fosse único
E atravessou a rua com seu passo tímido
Subiu a construção como se fosse máquina
Ergueu no patamar quatro paredes sólidas
Tijolo com tijolo num desenho mágico
Seus olhos embotados de cimento e lágrima
Sentou para descansar como se fosse um príncipe
Comeu feijão com arroz como se fosse o máximo
......................................................................................»

segunda-feira, 30 de abril de 2012

«SUCIALISMO DE ESTADO», UM DESÍGNIO NACIONAL







Primeiras capas das últimas edições do «Diário de Notícias» de Lisboa , as quais revelam muito do estado da arte em Portugal.

Enquanto o Estado Português, através de processos administrativos e fiscais, coima e executa pacatos cidadãos com parcos recursos e com famílias a cargo, por outro lado,  vai socializando e nacionalizando grandes prejuízos, activos tóxicos e imparidades, provocados por actuações alegadamente fraudulentas e golpistas, como foi e é o escândalo do BPN.

Em Portugal, desde muito longe, e basta recuar ao Estado Novo para constatarmos muitas evidências, sempre existiu uma aristocracia de negócios, apoiada pela classe politíca dominante, cujo objectivo primordial nunca foi criar riqueza, mas sim apropriar-se da riqueza dos outros e dos bens públicos.

Desde concessões, nacionalizações, privatizações, reprivatizações, parcerias público-privadas, este modelo golpista de apropriação dos bens colectivos e dos impostos dos contribuintes é uma constante.

Quando o Estado se vê em aflições, a primeira coisa que faz é atacar os mais pobres, os mais  desfavorecidos e actualmente numa agressividade nunca vista a própria classe média, que aos poucos está engrossando a nova legião dos novos pobres.

Isto acontece em todo o território nacional, inclusivamente nos nossos Açores, que não tendo contribuido para o desfalque nacional e para a orgia de despesismo e de irresponsabilidade fiscal, estão a ser convocados para este peditório nacional.

E é  pois, com muita indignação e perplexidade que vemos, ouvimos e lemos alguns dos nossos conterrâneos a contemporizar com todo este processo de saque e rapina sobre os nossos bens e rendimentos.

Ainda hoje li nos nossos jornais regionais, artigos de opinião que são autênticos abaixo-assinados à politica centralista e colonialista de Lisboa, e pior, com a visão lírica de que esta austeridade e todo este esforço é para o bem de todos nós, quando muito bem sabemos que todo esse saque fiscal e financeiro é para enriquecer quem está no miolo do Estado, nos negócios protegidos pelo Estado e para pagar o fausto duma classe politica parasitária e cleptocrática.

Até notei que alguns, em tempos longíquos (!!!), empunharam a velhinha Bandeira dos Açores...

Uns tristes e capachos, é o que são!

domingo, 29 de abril de 2012

HÁ FOME NA MADEIRA, ADMITE O GOVERNO REGIONAL


1ª página do «Diário de Notícias da Madeira», publicado hoje, dia 29.04.2012 na cidade do Funchal, com o elucidativo título «FOME ALASTRA».

*******

Vítima das politicas sucialistas desenvolvidas pelo regime jardinista - falsamente autonomista - a Região Autónoma da Madeira encontra-se à beira do colapso económico e social.

Ainda esta semana soubemos através dos OCS's nacionais que está a ser desenvolvida uma operação judicial de grande envergadura, com o objectivo de investigar a alegada dívida oculta da Madeira e a alegada promiscuidade entre empreiteiros e a Secretaria Regional do Equipamento Social da Madeira.

A esta operação foi dado o sugestivo nome de «Cuba Libre».

É verdade que esta operação, comandada através de Lisboa, onde até chegou a ser utilizado armamento militar para cercar edifícios do G.R. da Madeira, não é inocente, e tem como intenção humilhar a Madeira e consequentemente as autonomias.

Todavia, não podemos contemporizar com o regime jardinista que ao longo de trinta e tal anos
criou uma verdadeira teia de interesses público/privados para além de ter construido uma economia baseada no estatismo e alavancada na construção civil e nas megas obras públicas não reprodutivas.

De facto, a Madeira é o exemplo do último bastião sovietizado na Europa Ocidental. Tem uma espécie de partido único. Tem um Grande Líder. Tem culto da personalidade. Tem politburo. Tem nomenklatura. E tem uma sociedade completamente dependente dos serviços e das prestações públicas.

Durante muitos anos a Madeira foi sendo apresentada como um exemplo a seguir. Uma verdadeira «região económica» como alguns «servos de Deus» preconizam aqui para os Açores.

Até o inenarrável Ministro da Economia e do Desemprego, um tal Álvaro, em tempos escreveu um livro onde sustentava academicamente que a Madeira tinha condições para ser independente...

Ora, esqueceu o então bloguista e professor Álvaro Santos Pereira, que a Madeira pode vir a ser independente, não pelas razões e pelo modelo que ele ingenuamente elencou, mas por razões diametralmente opostas, sendo uma delas, a desvinculação do sistema económico-jurídico-fiscal imposto por Portugal e até por uma Europa velha e decadente.

RANCHO DE AMOR À ILHA



«Rancho de Amor à Ilha», é o hino oficial da cidade de Florianópolis, capital do Estado de Santa Catarina (Brasil) e situada na Ilha com o mesmo nome.
Letra e música são da autoria de Cláudio Alvim Barbosa (Zininho), aqui interpretado neste vídeo por Julie Philippe e Wagner Segura, tendo como décor a Fortaleza de S. José da Ponta Grossa, na Ilha de Santa Catarina.

«Um pedacinho de terra,
perdido no mar!
Num pedacinho de terra,
beleza sem par
Jamais a natureza
Reuniu tanta beleza
Jamais algum poeta
Teve tanto pr'a cantar
........................................»

A Ilha de Santa Catarina, também é, por afectos, história, fisionomia, cultura e tradição uma ilha do universo açoriano.
É uma ilha com 424,4 Km2 (um pouquinho menos do que a nossa Ilha do Pico) e que a partir de meados do século XVIII, recebeu expressivos contigentes de açorianos, com o patrocínio da corôa portuguesa, com vista a povoar, ocupar e delimitar fronteiras.
Hoje em dia são bem visíveis em toda a ilha os vestígios culturais, patrimoniais, étnicos, folclóricos, religiosos e até gastronómicos do povoamento desta ilha pelos nossos antepassados.
Afinal, os Açores não são só 9 ilhas perdidas no meio do Atlântico Norte...
São um povo e uma nação.

sábado, 28 de abril de 2012

SE É PARA PAGAR TUDO, ENTÃO É MELHOR SERMOS INDEPENDENTES, NÃO ACHAM?

Desde que o actual Governo neo-comunista liberal à moda «chinoise» de Lisboa tomou posse, intensificaram-se os ataques às autonomias, e muito particularmente aos Açores.

Isto não significa que antes já não houvessem algumas escaramuças perpetradas pelo anterior governo, como foi o caso da teimosia do então Ministro das Finanças, Prof. Teixeira dos Santos, em não querer transferir para as autarquias açorianas 5% do IRS, como sempre tinha acontecido, e ao arrepio da jurisprudência em vigor.

Em todo o caso, nada se assemelha à agenda politicamente agressiva que o actual Governo de Lisboa tem para com as Regiões Autónomas dos Açores e da Madeira, esta com cambiantes muito diferentes.

Tem sido frequente as declarações e as sugestões de diversos ministros em relação, não à transferência de maiores e mais vastas competências para os nossos Orgãos de Governo Próprio, mas sim a transferência de custos e maiores responsabilidades financeiras para os nossos orçamentos e obviamente para os contribuintes açorianos.

Vejamos alguns casos paradigmáticos:

Há tempos o Ministro da Defesa alvitrou a possibilidade da Região vir a pagar as operações de evacuação e salvamento que são realizadas pela Marinha e Força Aérea; o Ministro do Futebol, da Televisão e das Autarquias quer acabar com a RTP-Açores alegando que esta custa muitos milhões e que já cumpriu o seu papel histórico; os Hospitais da rede do Serviço Nacional de Saúde querem cobrar ao nosso Serviço de Saúde todos os cuidados de saúde prestados a cidadãos açorianos que se deslocam ao Continente, cujas valências ou especialidades médicas nós não as possuímos; há ainda os casos da Universidade, dos Aeroportos, das tarifas do serviço público relativas ao transporte aéreo, a estrutura de telecomunicações existente na Região,etc.

Mas o caso mais grotesco - e talvez mais ofensivo! - foi a sugestão do incrível Ministro da Economia e do Desemprego - uma nulidade à escala mundial! - ao declarar que a formação dos agentes da PSP no nosso arquipélago era uma competência da RAA!

Qualquer dia também sairá do nosso Orçamento as verbas necessárias para pagar o Sr. Representante da República e o seu faustoso Gabinete!

Ou seja, doravante, Lisboa, propõe-nos que sejamos nós a pagar os «custos de soberania» e os «encargos gerais da Nação»!

Ontem, o Presidente do Governo dos Açores fez bem em denunciar todo este ataque concertado contra os Açores e chamar a atenção para a agenda de desresponsabilização financeira que a República tem para com os Açores e para com os Açorianos.

Toda esta agenda ( por enquanto, ainda muito escondida...) tem alguns cúmplices internos e que todos os dias se pavoneam nos diversos orgãos de comunicação social.

E nesta altura do campeonato, não devemos ser politicamente correctos ou excessivamente diplomatas.

Esses cúmplices e colaboracionistas do governo neo-comunista liberal de Lisboa - e mandatários para uma eventual agenda politica centralista e anti-açoriana - tem rostos e nomes, estando à cabeça a actual líder(?) do PSD nos Açores e todo o seu directório de rapazinhos inexperientes e imberbes que nem sonham o que custa e custou ganhar uma Bandeira!

Contrariamente à tradição que o PSD tinha nesta Região - que era um partido comprometido com a Autonomia, havendo até uma geração mais velha bastante envolvida nas lutas pela Auto-Determinação dos Açores - hoje os responsáveis (esperamos que por poucos mais meses!...) pisam a nossa Autonomia e apresentam-se como os inimigos e os maiores adversários da nossa Terra, não se coibindo em colaborar em estratégias gizadas a partir do exterior.

Quando nalguns fóruns ou mesmo na imprensa local aparecem alguns nossos conterrâneos a contemporizar com toda deriva centralista e anti-social, ficamos perplexos, como é que as nossas élites (?) chegaram tão baixo.

As próximas eleições legislativas açorianas, ao contrário do que alguns «senadores» ou bem-pensantes escrevem e dizem, não são entre a personalidade A ou B; entre um que é novo(a) e o outro que é velho(a); e muito menos entre quem sabe falar inglês ou outro(a) que sabe tocar piano e falar francês.

A escolha é entre a Autonomia (e num futuro não muito distante a Auto-Determinação) e quem a defende acima de todas as coisas, e entre quem quer o regresso aos ex-distritos autónomos do tempo da outra senhora, quando estes não passavam de meras pagadorias controladas e às ordens de Lisboa.

sexta-feira, 27 de abril de 2012

III FÓRUM AÇORIANO FRANKLIN ROOSEVELT

Está a decorrer na cidade da Horta, no Teatro Faialense, o III Fórum Açoriano Franklin Roosevelt sob o tema «O Mar na Perspectiva da História, da Estratégia e da Ciência».

Este Fórum iniciou-se hoje e prolonga-se até ao próximo dia 29 do corrente mês e tem como organizadores e patrocinadores, a Fundação Luso-Americana e o Governo dos Açores.

Conta com a participação de diversos e ilustres especialistas açorianos, portugueses e norte-americanos, em vários domínios do saber e da ciência.

Contrariamente à opinião recente dalguns comentadores ou «estrategas» de meia-tijela, a posição geo-política e geo-estratégica do Arquipélago dos Açores continua e certamente continuará a ser vital para a defesa e integridade do Mundo Livre e do Ocidente em geral.

Quando se fala na emergência do Pacífico (mais por causa da China), isto não tira nenhuma importância estratégica aos Açores, pois se os EUA quiserem operar no Mediterrâneo, Médio Oriente, Golfo Pérsico, África do Norte e sub-sahariana e mesmo Ásia Central, será sempre mais fácil cruzar os nossos céus do que ir pelo Pacífico acima ou abaixo...

O tema deste III Fórum é muito interessante e só mostra que os Açores estão, graças a Deus!, num sítio irrepetível, apesar dalguns quererem desvalorizar este grande activo intangível, que é nosso e só nosso.

quinta-feira, 26 de abril de 2012

EUROPA VELHA VERSUS MUNDO NOVO












A propósito do 260º Aniversário do Povoamento do Rio Grande do Sul pelos Açorianos, este jovem blogue tem publicado alguns posts e materiais audio-visuais sobre este Estado da Federação Brasileira e também sobre a cidade capital Porto Alegre, outrora Porto dos Casais, e que como a História regista foi fundada por Açorianos.

Contudo, desta vez vamos falar do Rio Grande do Sul e de Porto Alegre, não como um território de memórias e afectos, mas principalmente como um território de futuro e de liberdade.

Este propósito decorre duma leitura que fiz no jornal «Público», versão impressa, duma crónica assinada pelo Prof. Dr. João Carlos Espada, doutor pela Universidade de Oxford e professor no College of Europe em Varsóvia, para além de ser director do Instituto de Estudos Politicos da Universidade Católica Portuguesa.

Não sendo possível linkar através do jornal «Público» essa crónica, recorro ao blogue do Dr. Bruno Garschagen, activista brasileiro das teorias liberais e libertárias e colunista da OrdemLivre.org:

A crónica tem o seguinte título: «Surpresa no Brasil, choque em Portugal»


Não é nossa intenção realçar ou valorizar as ideias ou a doutrina liberal preconizada no Forum da Liberdade realizado em Porto Alegre a que o link faz referência, nem mesmo as ideias ou o programa do Fórum de sinal contrário e que também tem sede na capital gaúcha, o Forum Social Mundial.

O que queremos realçar é a vivacidade e a pujança da sociedade civil do Estado do Rio Grande do Sul, que como sabemos é um dos estados mais progressivos e progressistas da Federação do Brasil, e testemunhada pelo ilustre autor da crónica.

Este Estado é uma das 27 unidades federativas do Brasil, sendo Governador Tarso Genro (do PT, o partido que governa o Brasil) e Vice-Governador Jorge Alberto Duarte Grill (do Partido Socialista Brasileiro).

Porto Alegre é a capital deste Estado e é uma metrópole muita desenvolvida e um «melting pot» de raças, ideias e culturas.

Refere o ilustre cronista a páginas tantas : «Foi uma sociedade civil vibrante, em perpétuo movimento, com uma energia empreendedora que só tem paralelo nos EUA...».

Mais adiante refere o cronista: «...eu pelo menos saí do Brasil contagiado pela energia criativa e empresarial do Rio Grande do Sul. Mas, quando aterrei em Lisboa, tive o primeiro choque lusitano, depois da agradável surpresa brasileira. Na primeira banca de jornais, uma revista de grande circulação titulava na capa: "Precisamos de um novo 25 de Abril?". Não pude acreditar. Temos uma democracia e perguntam se precisamos dum golpe de Estado? Terei chegado por engano à Guiné?»

Não sendo nosso objectivo comentar, valorizar ou contraditar as ideias e as premissas expressas pelo autor da citada crónica, simplesmente queremos evidenciar duas realidades que presentemente existem: uma Europa velha e decadente, da qual Portugal está orgulhosamente no pódium, e um Mundo Novo a Ocidente, dinâmico, livre, empreendedor, jovem e criativo.

Nós, Açorianos, estamos na fronteira destes dois mundos e destas duas realidades.

Vamos continuar amarrados a toda a uma arquitectura politica, cultural, económica, jurídica, financeira e monetária que nos está condenando à ultraperiferia, à irrelevância, ao sub-desenvolvimento, ao estatismo e à rapina fiscal?

São estas as questões que devemos discutir e não as tretas da «região económica», rendimentos mínimos, vales de saúde ou outras conversas para boi dormir.

Queremos ser livres e donos do nosso destino ou escravos dum Estado delapidador, corrupto, clientelar e obscurantista?

PORTO ALEGRE by DECIMAR DA SILVEIRA BIAGINI







Na barra de vídeo do canto superior direito deste blogue, dedicada à cidade de Porto Alegre, antiga Porto dos Casais, encontra-se um vídeo com poesia declamada da autoria do rio-grandense Decimar da Silveira Biagini e que é uma autêntico hino de amor à cidade fundada pelos nossos antepassados açorianos que rumaram àquelas paragens durante o século XVIII e uma homenagem ao Povo Açoriano:

«Porto Alegre

Terra que chamou poetas

Migrações de letras

Fusão de culturas

Reduto de luta e bravura

Porto dos casais

Onde os navios atracaram

E uma vez

Encostados naquele cais

Tornou-se difícil a missão

Dos que ali não retornaram

Levam consigo a lembrança da união

Da gente sentada na grama

Do Parque Marinha à Redenção

Esta força do sangue açoriano

Que faz da alma um monumento

Mistura da invasão do castelhano

História contadas ao relento

Capital de quem ama

E orgulha-se deste chão»

22 de Março de 2009

quarta-feira, 25 de abril de 2012

AINDA ESTA TERRA VAI CUMPRIR SEU IDEAL!


[Fado Tropical, para o filme «Fados» de Carlos Saura, na voz doce e luso-tropical de Chico Buarque d'Hollanda, ele próprio um combatente da Liberdade e um opositor à Ditadura Militar brasileira vigente à data do 25 de Abril de 1974]

******
Hoje, dia 25 de Abril de 2012, comemorou-se pela 38ª vez, a queda da ditadura e o regresso da Liberdade e da Democracia a Portugal e a todos os seus domínios à data.

O 25 de Abril foi uma data muito importante e crucial para os Açores.

Os Açores foram refúgio dalguns estrategas do 25 de Abril e muitos Açorianos participaram de alma e coração neste importante evento da nossa história politica e social do último quartel do século XX.

Quem conheceu os Açores antes do 25 de Abril e compara com os Açores da actualidade, constatará diferenças abissais em todos os domínios, principalmente no campo social, no trabalho e na economia.

Aqui, nos Açores, e é preciso lembrar às actuais e futuras gerações, antes do golpe militar e da Revolução que lhe sucedeu no dia 25 de Abril de 1974, a miséria, a exploração, o obscurantismo e os preconceitos sociais eram esmagadores, assim como na Metrópole continental.

Ainda nos lembramos das gritantes desigualdades sociais, da repressão, da exploração e da espoliação dos mais pobres e desafortunados, da falta de liberdade de imprensa e de expressão; e principalmente da falta de tudo, inclusivamente da falta de luz eléctrica e de água corrente na maior parte das nossas freguesias, lugares e povoados!

A emigração em massa para os EUA e Canadá e as Guerras Coloniais em vários teatros de guerra em África, sangravam a nossa terra e a nossa sociedade, onde os mais novos, e muitas vezes os mais capazes e trabalhadores, fugiam da miséria e do obscurantismo.

É desse colonialismo, de que muitos de nós fomos contemporâneos, que falamos com alguma frequência.

Nunca é demais realçar as virtualidades do 25 de Abril na libertação dos Açores de todos os constrangimentos e estigmas do Antigo Regime ditatorial e colonialista.

Embora a data do 25 de Abril não seja a única data que impulsionou a libertação dos Açores, pois mais tarde sucederam outros eventos muito importantes para este desiderato, nós Açorianos, devemos estar gratos aos capitães de Abril, pois foi o 25 de Abril que abriu as portas à nossa Autonomia, e quiçá, num futuro não muito distante, à nossa própria Auto-Determinação.